Vire e mexe, esse tema ressuscita pelos diversos sites de relacionamento por aí. O temor dos góticos na primeira metade da década 00, o inimigo número 1 dos truebangers, a expressão máxima da música trevosa. Daí, como típico de qualquer grupo molestado, esse cria uma resistência e se arma contra essa ameaça a seu estilo tão querido: Esse texto é o meu argumento, minha manifestação sobre isso. Por ser um argumento, ele pode ser refutado e não há verdade permanente nenhuma nele, entretanto é o mais próximo que consegui fazer para arrumar uma explicação.
Como sabemos, o Gothic Metal como estilo é todo fragmentado: Ele absorve elementos do darkwave que já é um deposito das inúmeras músicas góticas da cena, do synth-pop, único gênero autêntico, heavy metal, para compor sua estrutura musical e para mirar no seu público-alvo. Como surgiu esse horror digno de terror B? Lógico que, como todo monstro, não foi senão artificialmente. Não havia nenhuma expressão dentro do gótico ou do heavy metal que caminhava para uma união com as duas cenas e o rótulo tinha uma razão anterior, sendo como um sub-estilo de Doom Metal quando nasceu. O que aconteceu é que o rótulo mudou duas vezes e somente a ultima seria uma evolução natural da estética.
Isso significa que quando estamos falando de Gothic Metal, estamos falando para três coisas diferentes: Um sub-gênero do Doom Metal, uma inversão para simplesmente ganhar dinheiro e, finalmente, uma expressão de uma raça diversa de metaleiro.
A origem do sub-gênero do sub-gênero
O Doom Metal é um subgênero do Heavy Metal muito vasto e extenso, permitindo ao longo de sua história o nascimento de outros subgêneros desse mesmo. Nascido dos anos 80, onde divide sua origem com Black Sabbath e Candlemass, que desde então surgiram vários outros sugêneros, onde temos o mais famoso e o que vai nós interessa nesse tópico: O Death Doom Metal e suas características em geral são um estilo que tenta transmitir com instrumentos graves, vocais guturais ou sussurados e melodias lentas um clima pessimista, melancólico, depressivo e uma atmosfera pesada.
O Paradise Lost e o Type O Negative inovaram o subgênero do metal, o Death Doom Metal, ao acrescentar elementos do goth rock no seu estilo. Vale lembrar que não havia qualquer interesse, exceto um certo modismo do Type O Negative, em querer ser gótico. Esses elementos foram lidos não do contexto que originou o gótico, mas sim do Doom Metal para o Goth Rock, isto é, exemplificando, ao invés deles ouvirem Crowns como uma sátira, eles viram como realmente algo sério. Type O Negative lembra muito outra banda anos 80 de goth rock, o Nosferatu, que também influênciou o Moonspell e tem como fã assumido o próprio Fernando Ribeiro. Com o sucesso dessas duas bandas e a visível influencia de bandas-chaves do metal deu origem a um novo subgênero dentro do Doom Metal.
Surge então um novo rótulo classificando bandas que atendiam seu principal pré-requisito: O Gothic Metal nesse primeiro momento começa a ser desenvolvido. Com Paradise Lost e Type O Negative ele adquire as primeiras influências de Goth Rock, com o Moonspell com seu Sin/Pecado e o Theatre of Tragedy e o seu Aegis ele adquire fortes bases do EBM, posteriomente o synth-pop com o Host de Paradise Lost. A estética gótica como influencia entra aos poucos nesse ramo do metal, mas ele até então não era gótico e não fazia questão de ser. O Gothic Metal termina com a seguinte e aproximada definição de ser um Doom Metal em sua estrutura e estética com influências do goth rock e ebm.
Como ganhar dinheiro por cima de trevoso
De certa forma, o desenvolvimento do Gothic Metal é frustado pela cobiça das gravadoras em relação ao novo público-alvo que surge dentre os doomers e os góticos. Lacrimosa começa então a fazer muito sucesso com seu cd Elodia, não somente aos doomers, mas também aos góticos e isso vai trazer algumas consequências principalmente em se tratando da visão das gravadoras. Ao longo do nascimento do subgênero, as gravadoras viram uma oportunidade de explorar o novo público que surgiu e que apreciava essa música, então fizeram uma atitude que tem muito mais a ver com marketing do que como crítico musical: Começaram a batizar tudo que lançavam como Gothic Metal sem qualquer críterio!
No início, temos o After Forever que nunca teve haver com o Doom Metal recebendo a rotulação. Logo após, Nightwish, Tristania (que convém lembrar, antes era dito como Death Doom), Evergrey e várias bandas. Aparentemente, foi estabelecido alguns novos críterios, como bandas “góticas” de metal melódico, doom metal, sinfônico e ocasionalmente, power metal. Após isso, reduziu um pouco mais, foi para bandas com vocalista lírica e/ou um vocalista gutural, os elementos típicos de uma banda de doom metal e um teclado ou violino. Isso mostrou que, apartir desse momento, não existe mais Gothic Metal e ninguém conseguia reconhecer o estilo, daí surgiu o mito que ele era abragente demais.
Nessa fase que aparece a primeira invasão na cena gótica. Cabe lembrar que tocava o dito Gothic Metal nas nossas baladas, mas de forma bem pontual, com Lacrimosa, e o público que venho demandando o Gothic Metal era novo, geralmente jovens headbangers querendo aproveitar seu novo modismo. Entre 2000 e 2006, nossa subcultura teve uma profunda mudança de paradigma, onde tudo que antes era natural a nós era visto como “gay” para o novo público que se afirmava gótico, deturbando elementos que nós era conhecido, como a palavra goticismo, adicionando novos do doom metal (como tudo que hoje você entende por goticismo!), criando novas baladas e as nossas, aproveitando a grana fácil, se modificando para atender esse público. Com tudo isso acontecendo em 2 anos, fica agora claro porque os góticos se uniram numa bandeira para extinguir o metal da sua cena.
Também cabe destacar que o Teatro de Vampiros, famosa balada de um ilustre gótico aqui em São Paulo apareceu inicialmente com a proposta de aproveitar esse movimento ao passo que mantinha elementos “antigos”. Paralelamente, surgiu o Gotham City, que era uma balada visando o público que ficou carente da música que antes ouvia e estava também querendo ouvir coisa nova, para desmentir a idéia que os góticos pararam no tempo.
Sua resistência começa a fazer efeito a partir de 2006. Já em 2007, a maturação do gênero chega e o estilo desaparece da setlist na mesma velocidade que chegou e acontece uma nova transformação nesse gênero.
Gothic Metal como algo gótico
Nesse momento os góticos, principalmente em países como a Alemanha, começam o processo de metabolizar os trévis dentro do seu organismo já vasto. O Gothic Metal, por ter caído de moda, começa a ficar mais ou menos como era no início e começa receber, agora sim, manipulação dos próprios góticos. Nesse momento, a definição nova de Gothic Metal aparece: Um estilo de Doom Metal com fortes influências do Darkwave, Synth-pop, Industrial Metal e Ebm. Sua estrutura ainda é o metal, mas dessa vez passa a ser um metal com uma estética gótica e aceito pelos góticos, ao menos os alemães.
Eu reparo que os headbangers, ao menos no momento que eu escrevo esse post, confundem o gothic metal enquanto subgênero do doom metal com o que ele se subverteu para atender os interesses das gravadoras e o que ele se tornou. No final, temos uma classificação como a da wikipedia, que praticamente diz que qualquer Doom/Folk Metal também é um Gothic Metal ou extremamente abragentes, como a que existe no doom-metal.com, que diz que seria um doom metal mais romantico. Isso acontece não só pela confusão, mas por verem ainda o Gothic Metal como estilo autonômo e é nisso que o argumento dos góticos fica forte: O Doom Metal é um estilo autonômo, mas o Gothic Metal não. Ele não consegue se separar do Doom Metal e de toda a influencia gótica, seu público ainda são os headbangers e os trevosos, que nada mais são que híbridos, um “gothbanger”. Imagino que daqui uma década eles vão conseguir autonomia, mas não é equivocado afirma que o Gothic Metal não existe, sendo uma construção artificial.
“Embrace the end…”
Atualmente, no ultimo ano dessa década conturbada para os góticos, estamos indecisos se vamos realmente abraçar o estilo ou chutar ele de vez, para o mesmo modificar de novo para algo realmente novo que nós aceitemos no futuro. Enquanto isso, já há um público que adora esse estilo que nós, pejorativamente, chamamos de trevosos. Eles vão mantendo sua cena a parte da nossa ouvindo isso, Industrial Metal, post punk e EBM. Na Alemanha, essas bandas dividem espaço entre os grandes booms do Goth Rock, isso porque o pessoal sabe o que é um e o que é outro. Nos Eua é o samba do crioulo doido, há estados que aceitam e outros que caçam-os.
Na realidade, eu vejo como toda essa discussão não sobre a existência ou não, mas sobre uma validação na cena. Quase sempre, uma coisa é simplesmente uma música gótica quando ela é aceita pela cena, coisa que não acontece com o Gothic Metal e ao contrário do que dizem os fãs, ele caminha para ora buscar aceitação, ora para se mostrar ainda como um subgênero do Heavy Metal. Mas ninguém gosta do coitado do Gothic Metal, visto que ele é desgostado até pelos headbangers.
Por fim, eu digo: Existe um Gothic Metal, um subgênero de outro subgênero, sem autonomia própria, que sofre influências de outros estilos ligado ao gótico, ainda com a estrutura do metal e que não tem aceitação pela grande maioria dos góticos e é desprezado pela maioria dos headbangers. Não é tão sombrio o estilo do já sombrio metal gótico, tudo vai depender da nova tribo urbana que ele gerou e como ela vai se desenvolver.


Gostei muito de s ua explicação!!!Gosto de gotic metal e sei q é um estilo de certa forma modismo!!!Mais q tá atraindo gnde publico a musica é algo constante q está sendo renovando.
“Sempre o q é novo é condenado pela essencia”
DAKI A POUCO VEM UM OUTRO SUBNERO DO GOTICO
[...] em Gothic Metal, como tratei muito bem no primeiro post desse blog, os que se diziam góticos que hoje chamamos de Obscuros ou maliciosamente de Trevosos, são [...]
Gostei muito do post!
Apesar de gostar muito do chamado “Gothic Metal”, eu nunca entendi/aceitei o pessoal da sub-cultura gótica batendo o pé falando que Gothic Metal não existia. O que eu não aceitava era a falta de argumentos pra falar o porque de verdade gothic metal não existia, porque para mim simplesmente falar que as idéias do heavy metal e gótico eram contraditórias, e que era só um termo pras gravadores ganharem dinheiro, para mim não bastava.
Mas esse post “abriu” minha cabeça, e me fez ver esse estilo de uma forma que eu não tinha visto antes.
Eu realmente espero que esse estilo cresça, que tenha um maior e mais fiel público. Nunca tinha reparado como esse estilo é odiado pelo tanto pelo público metal e pelo gótico, mas depois de ler eu pensei bem e realmente existe isso.
Por ser odiado, cedo ou tarde ou o estilo se dissolverá e suas bandas passarão a ser bandas apenas de metal ou de gótico, ou criará uma outra subcultura dela como disse no último paragráfo. Tudo dependerá de como as novas bandas e as antigas que assumem o rótulo vão se comportar, mantendo a mesma postura e criando modismo para esse novo público, ou se vão acompanhar a mudança do mercado de música, natural ao longo das décadas.
[...] dos Vampiros (atual Projeto Absinthe), e sim a umas das bandas que foi uma das propulsoras do Gothic Metal!! Sim, o Theatre of Tragedy irá acabar, como chegue na notícia traduzida e adaptada por mim [...]
[...] dos góticos. Eventos de gothic metal pipocavam em todo país ou mesmo de metal vendiam o Gothic Metal, colocando no setlist para atrair os adolescentes que acabaram de conhecer música além do [...]
[...] em Gothic Metal, como tratei muito bem no primeiro post desse blog, os que se diziam góticos que hoje chamamos de Obscuros ou maliciosamente de Trevosos, são [...]
parabéns pelo texto Renan
ficou ótimo
estou de total acordo com tudo o que acima foi escrito
abçs
Não existe regras senão aquela velha temática estética da coisa. Alias, onde você viu que ela tinha regras?
eu vejo que essa sub-cltura é cheia de regras, ae eu pergunto se essas regras foram criadas pelos integrantes do Bauhaus (que nunca se declararam como tal)
parabéns!
bom texto”!
abs!!