O “Damaged Good” da cena gótica brasileira

Publicado: 24/04/2010 em Comportamento de góticos, Crítica
Frost Goth by cannibalized

Isso sim é Damaged Good...

Não irei postar a terceira parte da “trilogia” (da serie Eu Não Apoio a Cena Gótica Nacional!). Desculpem pelo aviso de última hora para quem esperou, porém, após eu fazer muito brainstorm em cima do último texto, tanto junto as pessoas que me cercam quanto comentários de outros membros, ele me parece ficar bem mais polêmico que o primeiro e até mais profundo e sólido. Portanto, trabalhei melhor nele.

Mas não é disso que venho falar aqui hoje, com vocês.

Esse post será um pouco de autopromoção, entretanto ainda acredite que se faz com importância, já o texto acima citado superou em muito minhas expectativas. Houve vários comentários interessantes ao longo das comunidades do orkut e o tópico que abrir anteriormente já rendeu vários filhos. Mas, irei passar minhas opiniões sobre o texto e algumas pontas que deixei solta.

Bandas que são medíocres, que insistem em ser medíocres e morrerão medíocres.

Achei impressionante que, embora muita gente tenha sido contrário ao meu texto, todos que negaram se resumiram há três falácias: Ad misercordiam (piedade, condolência), ad magister dixit (autoridade), ad hominem (todos os tipos, ataques pessoais). Para quem não sabe, falácia é um argumento logicamente inconsistente, que não permite conter verdade (ou seja, não tem validade implicitamente lógica) mas muita gente cai neles por despreparo ou falta de atenção. No primeiro caso, usaram com frequência as “dificuldades da cena”, na segunda falaram bastante de membros produtivos do rolê (e até afirmaram que só levariam a sério uma crítica dessa feita por algum desses vedetistas) e na terceira, bem… para quem acompanha meu blog já percebeu.

Sem querer parecer presunçoso, mas normalmente quem não concordou não entendeu meu texto. Uma “religião laica” subiu suas cabeças, onde confundem “ser gótico” com “trabalhar na cena gótica”, sendo ofendido por defenderem um pensamento sem futuro que só serve para gerar mais nostalgia em cima da nostalgia. Estão cegos, ao ponto de não identificarem um erro primário em lógica, vergonhoso para quem estuda isso com afinco como eu, mas se doerem extraordinariamente com fatos. Negar argumentos do meu texto é impossível, já que embora me reservei em apontar mais exemplos, ele é sólido. Ele tem um ponto fraco vital, e deixo a vocês a tarefa de descobrirem.

Acima de tudo, esse texto é completo. Todos os outros, em sua concepção, estão implícitos nesse primeiro. Não existe crítica construtiva, toda crítica visa destruir algo, a construção vem depois. O fervor apenas reafirmou a relevância desse texto. Isso não é uma ordem para mudarem, isso foi algo que alguns perceberam, foi a única ação realmente capaz em seu germe de construir uma cena nacional: A reflexão.

Pode parecer  uma viagem na Hellman’s esses três parágrafos acima. Achei interessante divulgar para o leitor o que eu pensava enquanto o post ardia no coração de algumas pessoas. Agradeço a todos que compreenderam a mensagem e responderam aos comentários ácidos: Vocês não foram contaminados pelo meme¹ do membro-produtivo-do-rolê (que, pasme, com aquele texto virou algo pejorativo) e, mesmo discordando de alguns pontos, souberam aproveitar o que foi útil a vocês. Não é a intenção que concordem com tudo, mas fiquei muito satisfeito por ter falado aquilo que muitos de vocês queriam falar, sem saber como.

E aos outros “apertadores de botão”, ainda pergunto: Alguém sabe o que é ponto de mixagem?

Um Mal Desnecessário

Gótica

Alguns homens já concordarão comigo que isso é um mal necessário...

Meu verdadeiro objetivo com o primeiro texto é denunciar um amadorismo apoiado por um discurso ideológico fraco, apenas para manter uma hipócrita união nessa questionada cena. Sabemos que, nos bastidores, muitas baladas querem falir com as outras ao invés de buscar uma concorrência amistosa – mesmo em dias da semana diferente. Outras, por serem únicas em uma região, destratam um público já conformado com a falta de opção. Poucas bandas, felizmente, tem síndrome de estrelismo, porém essas exceções estragam todas as outras. A maioria falta por os pés no chão (e não, vocês não colocaram ainda) para se assumirem como produtores de um produto, que só crescerá se vender-lo – para sobreviver, basta o companheirismo.

Na prática não existe união na cena gótica. Nem existiu, nem vai existir reunião. A cena gótica deve ser autonôma, se apoiar em algumas parcerias porém não depender de discurso para sobreviver. Pode parecer pensamento mundo-cão, contudo a cena gótica não é muito diferente das baladas mainstream em se tratando de administração. Alguns percebem isso na pele, na melhor ou pior maneira, outros notam isso frequentando esses eventos. Rivalidades sempre vão existir e só vai crescer nesse mercado quando alguém quebrar esse Status Quo, já danificado por essa única crítica. Pessoas já fizeram o mesmo que eu no passado, quando os próprios góticos mais antigos diziam que  o gótico havia acabado. Aprofundarei todos esses pontos mais intensamente noutro momento.

Sim, nós góticos também somos um mercado. Não será agora que explicarei isso, porém somos consumidores e podemos ir até no Procon reclamar de alguma balada que vendeu vinho adulterado. É obrigação, indiferente das dificuldades, venderem para nós algo com qualidade. Não podemos no conformar em dá nosso dinheiro e nossa boa vontade para gente que insiste em destratar disso.

Por isso, na próxima vez que for sair e só haver balada que você sabe que será ruim apenas para beber, arrumar parceiro ou encontrar amigos, não vá. Compre as bebidas num supermercado, ligue para outros amigos góticos, marquem encontros (use inclusive as redes sociais, como o orkut) em praças e lugares públicos, levem um radio e aproveitem. Parem de investir em algo que só te trás dor de cabeça, que na manhã seguinte vai fazer você reclamar que está “o rolê tá cada vez pior” e exija mais deste de agora. Quem é mais velho já faz isso, embora muitos param de frequentar balada gótica por conta da exigência melhorar com a idade e vão para outras “cenas alternativas”. Quando bater a saudade, volte, até para verificar se houve melhora. Talvez, só dessa maneira uma balada gótica da sua região melhore seus serviços. Eles podem melhorar seus eventos, só não faze porque você insiste em continuar frequentando.

Bom que machuca”

Mas se as melhores lições de nossa vida machucam, podemos recorrer aos melhores médicos. Crédito: Dave Charsley

Críticas são necessárias. Sem elas, nunca vamos melhorar seja no trabalho que for. Mas não é apenas escrever, uma crítica deve ir aonde ninguém gosta de ir: Em nossos egos. E isso não é fácil: Soube que pessoas ficam reclamando pesadamente de mim para outras pessoas, já que eu estou manifestando contrário aquilo que trazia valor para a cena do país. Entretanto, eu valorizo os góticos e a subcultura gótica, e por conta disso que me motivou a escrever essa crítica, queria mostrar o lado podre da maçã que todos buscam esconder em meio do pensamento “apoiar a cena nacional” . Com isso, ganho inimigos assim como amigos, me torno pragmático ao aceitar que somos também consumidores e que todo nosso universo negro é um mercado como outro qualquer. Ao assumir o que somos em sua integridade, podemos refletir se queremos continuar nós vendo assim no espelho.

Por isso, continuarei sendo o “Damaged Good” da cena. Por vezes hipócrita em minhas ações, por vezes parecer que busco polêmica, por vezes rabugento, o que importa agora nesse momento é que eu, e você leitor, passe a ter posição. Nunca teremos nenhum Gotik Treffen Week no Brasil sem não começarmos a agir como consumidores e exigir respeito, afinal, antes de gótico “apoiadores da cena”, somos pessoas. Manterei, sempre que for necessário, o mesmo estilo e destilarei críticas inclusive mais ácidas a tudo que julgar trazer desvalorização para a subcultura. Sempre dando o melhor de mim, sempre levando em conta que as maiores lições de nossas vidas machucam.

Meme: Descrito por Richard Dawkins, é quando uma ideia tem como uma de suas funções se propagar, alterando o comportamento de vários grupos de pessoas. As religiões e as ideologias, sérias ou não, são memes.

Comentários
  1. anonimo disse:

    só pra clarificar, o que exatamente voce quis dizer com “damaged good”?? porque não fez o menor sentido..

    good nessa expressão significa produto, coisa, artigo de consumo..

    damaged good é algo intrinsicamente falho, defeituoso, problemático, cuja performance é inferior ao que seria esperado.

    um cd riscado, uma lata de molho de tomate amassada, um tecido manchado.. ou um articulista que aparentemente não sabe exatamente o que quer dizer.

  2. Hey…gosteii mto do seu texto velhoh..
    Huum..sou GÒTIICA tbm…

    achuh q esse poviim 100 noção teiim q parar de nus criitiicar..
    kiiss
    Add msn…power_girl10@hotmail.com

  3. jéssica thais disse:

    oi eu quero ser gotico

  4. Minerv disse:

    Continuo apoiando a luta ou a crítica. Engraçado ter oposição a isso, mas você até explicou no seu texto os “porques” de opnoões contrárias. Mas ao meu ver apoiar a cena é justamente exigir qualidade e respeito. Não preciso ir a um lugar degradante para ser gótico ou não! Eu tenho saudade de ir para um lugar sem dizer ” quero ir embora” rs

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