The Brazilian Goth Scene: A Special Gift in Goth Day

Publicado: 25/05/2010 em Comportamento de góticos

Minha contribuição para o dia do gótico

Hi!

This text is that this blog can be read by portuguese speaking and by anyone who understands English. To read in Portuguese or read English, just click on the links behind.

Talvez por uma vontade de participar do Goth Day, ou apenas para tirar os véus que cobrem nossos mitos, esse texto tem como objetivo quebrar a tônica dos blogs que estão sendo divulgados. Aqui, irei falar de algo que para os brasileiros é trivial, entretanto para qualquer um que não está em nosso país é desconhecido, misterioso e curioso. A cena gótica do Brasil é iluminada por muitos ângulos, que criam várias sombras que não representam o que realmente ocorre aqui e nessa dissertação faço uma tentativa de mostrar o que de fato somos. A opinião exposta aqui não se trata de alguém graduado em alguma ciência social ou de um especialista qualquer, apenas um gótico aleatório comum que falará enquanto um gótico brasileiro da cena gótica do Brasil, que alguma experiência dentro da mesma.

Nunca vi nenhum FAQ ou artigo falando da cena do Brasil que seja para fora do nosso país. Imagino que serei o primeiro a falar de maneira aberta. Não sou o melhor escritor que conheço portanto tentarei apenas ser natural e didático ao invés de falar numa tonalidade de pioneirismo. Espero que ao final desse textos vocês tenham uma leve percepção do que é o gótico no Brasil. Informo também que minha opinião, aparentemente pessimista, diz a respeito de um gótico dentro da cena, não necessariamente de todos. Caso interesse, ao final desse texto haverá alguns links de textos de pessoas que escreveram em português sobre a cena, seja opiniões positivas ou negativas.

Antes de começamos, eu costumo definir vários traços do meu texto que usarei. Em primeiro lugar, quando me refiro à cena gótica falo de toda a produção voltada para o público gótico, seja eventos, roupas, música ou apresentação. Claro que isso pode envolver headbangers que acreditam serem góticos (leia mais abaixo no subtítulo “Wannabe no Brasil se chama Trevoso”) assim como outros, como psychobillys e alguns ebmers, mas creio que no Brasil essa definição de cena se aplica mesmo contra os nossos desejos ou deles. O EBM tratado aqui é aquele que é comumente tocado em balada gótica e não se trata daqueles… err.. menos dançantes (um paradoxo, eu sei, mas para quem ouviu Industrial sabendo da motivação daquelas bandas, sabe o que me refiro). Escreve esse texto falando principalmente de todo a última década, caso queira saber todo o histórico até aqui, ao final há alguns links.

Strip-tease no Carnaval Noir

Eu vou reservar às enciclopédias e aos livros de geografia (aqueles sérios, que não dizem que a Amazônia é território da ONU ou que Buenos Aires é nossa capital) as descrições mais enfadonhas de nossa natureza, política, economia e cultura local e me focarei nas várias “cenas góticas” daqui que temos. Cenas góticas entre aspas porque, para você leitor britânico, americano, alemão ou outro que estão acostumados a vários grandes eventos que atraem um público facilmente superior a trezentas pessoas, nossas cenas são tão ínfimas que poderíamos chamar de um grupo de fãs que se reúnem para ouvir músicas comuns nas cenas de outros países. Temos uma pequena cena em algumas em regiões do Nordeste do país e pequenos espasmos na região central e norte, uma pseudo-cena ao sul e, as que realmente alimentam todas elas e é um pólo irradiador de cultura, a cena carioca e paulista (cidades de Rio de Janeiro e São Paulo).  Pode parecer preconceito para o leitor brasileiro eu ignorar outras regiões do país, mas prefiro dizer dessas duas por três razões bastante simples: Primeiro, as características de todas nossas cenas estão dentro das duas em maior ou menor grau; Elas são idealizadas pelos outros estados de nossa federação e vários lugares buscam copiar-las e; Simplesmente porque são as que eu conheço melhor.

A cena brasileira é dividida em três pontos comuns: Somos um eterno “baile da saudade” de bandas dos anos 80 e bandas de punk rock brasileiro da mesma época (que pouco tiveram haver com nós), repetindo para sempre bandas conhecidas como clássicos por todos nós, mas já desgastadas pela excessiva repetição como Bauhaus, Siouxsies and The Banshees, Joy Division, The Cure, Sister of Mercy, Fields of Nephilim, Depeche Mode e outras. Também somos uma terra em que uma cena dentro da gótica procura se emancipar, a cena Death Rock, que age como punks querendo ser góticos (ou góticos querendo ser punks), que confundem “ser decadente” com “ser porco”, na qual fazem questão de transmitirem isso durante os shows de bandas e seus eventos. Por fim, uma cena metida a cybergoth, que na realidade se apresenta como uma cena Industrial que toca apenas EBM e outros sub-estilos, muitas vezes confundindo CruxShadows e BlutEngel como também EBM (ou industrial, que jamais tocou nesses tipos de eventos). Esse panorama descreve-nos ainda que superficialmente e felizmente não irei torturar o leitor com tamanho descritivismo, então falarei um pouco sobre cada um desses três lugares.

Nossa cena gótica pouco se desenvolveu depois do boom dos anos 80. É verdade que muitas bandas nacionais, como Legião Urbana, Capital Inicial e muitas outras, que vocês devem conhecer nas importadoras como “Brazilian Rock” ou apenas MPB, se inspiraram nessa época e hoje são conhecidas por toda a nação. Porém, após esse tempo, produzimos muito pouco. Isso se apresenta como uma balada que diz manter os padrões da “época dark**”, apresentando músicas dessa época (tanto nacionais quanto internacionais), porém seus setlist praticamente seguem uma padronização, os eventos são em galpões sujos e mal cuidados, fora que fazem excessiva promoção de vinhos adulterados, dark rooms, setlist compondo um punhado de bandas conhecidas e há um livre (e ilegal) consumo de drogas dentro delas. O formato 80’s ainda persistente em virtude da ainda rarefeita informação e produção dentro da cena, embora crescente, além da falta de importação de material de outros países por pura má vontade de organizadores, algo simples de se fazer com a experiência de 20 anos. Nisso somos muito parecidos com nossos companheiros sul-americanos, mas temos a vantagem de ocasionalmente alguém tentar quebrar o gelo e fazer os outros dois tipos de pontos comuns. Ainda sim, esse é o tipo que mais há no Brasil.

A cena Death Rock na verdade só existe forte em São Paulo. Na realidade, é uma concentração de alguns ex-ganguistas metido a californianos e crossdresser que, sendo honesto, ultimamente tenho dúvidas se realmente entendem de Death Rock ou se há uma definição, já que até bandas como New Days Delay e Ikon são “death rock” para esse povo. Enfim, são eventos que quebram o marasmo oitentista, feito por góticos que se recusam serem chamados de góticos e que pecam pela péssima qualidade em sua maioria, as mesmas do formato dos anos 80’s acrescentando a propaganda enganosa principalmente no que tangem a divulgação de bandas. Bandas como Crippled Ballerinas e Luiza Fria são amadas por esse público, todas terminadas devido ao desgaste que essa mesma cena produz. Seu lado positivo é o fato de atrair muitos punks e outros “outsiders” devido ao som e é umas das que mais procura buscar atualizar-se comparada com todas as outras duas. Cresceu muito devido ao modismo do Gothic Metal no Brasil, já que quem não gostava disso acabava migrando para o death rock, e boa parte do público que ainda freqüenta a mesma é dessa época.

A cena EBM para góticos (faço questão de manter essa seleção) é motivo de piada para DJs sérios de outros estilos de música, lugar para trazer skinheads à procura de góticas e confusão e principalmente o lugar onde as grandes maiorias dos outros góticos, cansados de tanto setlist repetido migram. Aqui temos uma atualização razoável para nossos padrões, além de serem eles que trazem algumas novidades de fora com alguma rotulação alienígena (porém, fiquem tranqüilo, a suma maioria de tudo é EBM ou subdivisões duvidosas do mesmo). Seus eventos têm qualidade muito melhor que os outros três, já que atraem mais público inclusive de fora da cena gótica e normalmente o pessoal sabe o que está escutando. Talvez a única crítica desses lugares seja que, de vez em quando, eles acabam caindo nos mesmo problemas do formato “80’s Forever” e perdendo qualidade até fecharem e mudarem de nome, mas com a mesma qualidade decrescente. E sim, vale citar que muitos DJs não sabem ao menos fazer um Jam decente e evitam perderem tempo procurando introduzir alguma coisa nova se não tiverem muita certeza que aquilo vai fazer sucesso. Muitas bandas internacionais que vieram para o Brasil dos últimos três anos foram tocar para esse público.

Nosso requiem

Temos bandas cada vez mais influentes no mundo. Algumas vocês devem conhecer, talvez graças ao blog Gothic Rock, Imaginary Dark ou Planeta Underground (todos mantidos por brasileiros), bandas como o Scarlet Leaves, Plastique Noir, Elegia, In Auroram, Pecadores, além de outras também magníficas, como Das Projekt, Sunset Down, Projeto Renfield, Orquideas Francesas, Latromodem, Crippled Ballerinas, Luiza Fria, Knutz, Escalartina Obssessiva entre outras. As cinco primeiras são consideradas por mim e alguns como bandas “grandes” entre nós, por estarem maturas e terem algum respaldo internacional, ainda que mínimo em alguns casos, e as outras são as pequenas, que embora possa até vir até alguma experiência internacional, são pouco conhecidas ou prestigiadas no nosso país.

Eu adoraria falar várias maravilhas delas, mas acho bastante difícil. Temos algumas bandas com uma atitude profissional, de quererem crescer e produzir música de qualidade. Porém, a maioria se acomoda numa postura ufanista onde você deve dá apoio a elas simplesmente por serem nacionais e “passarem por dificuldades”.  Pessoalmente eu tenho plena convicção que estão blefando, mas não abordarei isso nesse texto. Temos pessoas talentosas, mas nosso espírito brasileiro parece que corrompe-nós e faz que nos acomodemos em nossas desculpas e nosso público micro, por temer dá de cara com outros públicos ou buscar encarar um mercado muito maior que o já viciado ouvido saudosista que muitos de nós temos.

Mas podemos falar de esforços para melhorar nesse sentido. Temos o Woodgothic, evento anual na cidade de São Tomé das Letras, no interior de Minas Gerais. Esse evento trás para um público que vem de várias cidades de nossa federação boa parte das bandas nacionais, embora ainda tenha alguns problemas de infra-estrutura e muito companheirismo. Há histórias que mostram que você acaba tocando não por ser uma banda boa, talentosa e admirada tanto aqui quanto lá fora, e sim por favoritismo entre amigos. Ainda sim, já é um excelente começo e sempre se escuta falar bem dos esforços dos seus organizadores em trazer o melhor possível para seu público e suas bandas dentro de suas condições. Acredito que seja esse o evento que mais crescerá ao longo dos próximos anos e é uma promessa que vale apena se arriscar. Além disso, a crescente busca por shows dessas bandas nacionais faz que algumas delas, como o Plastique Noir, tenha tocado na Virada Cultural 2010 de São Paulo, um evento mainstream que promove a cultura do país para a cidade. Algumas instituições populares por aqui também estão apresentando shows dessas bandas e alguns de vocês ao norte do Equador também já devem ter lido o Mick Mercer falando do Knutz e que o In Auroram apareceu recentemente na lista dos top 30 do próprio.

O Wannabe aqui se chama trevoso

Quem discorda? Hein Hein?

No começo dos anos 00’s, nada parecia que iria mudar do já chato anos 90. Até que houve, no começo, apenas a chegada do Evanescence. Depois, bandas de Death Metal, Doom metal e Power metal se anunciam como “Gothic Metal”… como numa tomada de estado, estava declarada uma guerra entre os antigos góticos contra os “novos”, os headbangers wannabes.

Confesso que pouco sei como ocorreu esse modismo no país de você, leitor. Mas posso dizer que aqui em uma palavra: Caos. Eu e muitos outros góticos gostamos de ouvir algumas bandas de metal vez ou outra, porém naquela época tínhamos essas bandas tocando até em baladas góticas até então no formato anos 80’s, sendo apresentadas como “o novo gótico” e em todo lugar que antes era gótico, tinha algum headbanger fazendo bagunça. Alguns veteranos na cena se recusaram a combater o sumiço de eventos góticos que estava havendo, anunciaram que estava acabando e “bom mesmo era antigamente” e desapareceram (ou emudeceram, atualmente). Os mais novos estavam confusos se eram headbanger perdidos e tentando encontrar coerência em um evento de metal (!) está tocando essa coisa dance chamada Depeche Mode. Surgiram nossos primeiros FAQs em meados de 2004, alguns góticos começaram a sua maneira tentar desenganar outros, algumas baladas surgiram e assumiram uma postura para fazer frente a elas e muitos de nós até hoje temos preconceito contra esse público. Os góticos se uniram junto com os que ainda estavam na cena para agregar outros a sua causa e acabar com todos os mitos, e fazer frente aos “trevosos”, que são como chamamos hoje em dia os wannabes, fãs de Gothic Metal.

Por quê isso aconteceu? Alguns mais radicais afirmam que a cena gótica, por aqui, nunca existiu. De fato, num local com uma cena estruturada e desenvolvida, o metal não causou tanto problemas e era tocado em grandes eventos naturalmente. Alguns outros acreditam que o elitismo que sofríamos devido a distância e a falta de informação prejudicou a cena na época: Muitos veteranos se recusavam a explicar e apresentar novidades para os novatos, apenas para manter a posição de “respeito” contra a “molecada”. No final, nada disso importa, já que os góticos passaram a negar tudo que trouxesse menção ao Lacrimosa.

Após o modismo, a união acabou e passou a ser tudo quase como era antigamente, porém temos agora toda a informação que ficava presa anteriormente espalhada pela internet ou mesmo sendo dita com tranqüilidade. Ainda temos eventos que se aproveitam do público carente desse tipo de música e tocam, só que são mal vistos por muitos góticos e a estão cada vez mais perdendo público, muitos inclusive investem em outros gêneros do metal para atrair mais gente. Como quase formos banalizados, nosso look ficou ou menos trabalhado ou muito bem desenvolvido, ou oito ou oitenta.  Sim, também fizemos isso com o pessoal do Industrial e do EBM, eu sei leitor. Mas isso nos marcou tanto que muitos de nós evitamos contato com headbangers e ficamos bem incomodados com a presença deles, salvo alguns mais tolerantes.

Da tinta de cabelo ao dark room…

Nossa cultura ainda é machista. Apesar de temos várias recebido os benefícios de várias conquistas políticas ao redor do mundo e a valorização da mulher é uma delas, a mentalidade da nossa população continua tacanha nesse sentido. Isso também é manifestado pelos góticos.

O brasileiro seja hipócrita em se tratando de sexualidade, se dizendo comportado mas demonstrando todo seu luxurioso corpo em nossas dança. Quando acontece algum incidente que ofende várias góticas, elas criticam mantendo uma posição bastante “correta”, mesmo que vestindo um corpete que mostra nos seus decotes boa parte de seus seios e tendo, muitas vezes, uma histórico de algum tipo de sexo não convencional. Mesmo reclamando da promiscuidade, nós somos uns dos públicos que mais aceita como natural relações afetivas fora da tradicional. Os gays, sempre discretos, sem menos encanados com isso mesmo sofrendo ainda mais preconceito por parte dos heterossexuais, porém bem menos que em outras cenas no nosso país. Os homens sempre tiraram proveito dessa mentalidade, muitos outsiders vêem em nossas festas para procurar alguma gótica, que têm a fama de “sensuais” ou encontrar gays para se envolver numa briga (ou afetivamente, ainda que discreto).

Na moda, temos os dois mundos: Ou lojas que vendem roupas para headbangers adaptadas também para o gótico por preços caros e qualidade precária, como lugares com qualidade superior. A maioria dos góticos, apesar disso, customiza suas próprias roupas quando não resolve sair com um visual menos chamativo (justamente por temer ser taxado como trevoso) ou algo que não lembre um Victorian Goth. Os campeões da moda são os deathrockers, que tem visuais bem trabalhados nesse sentido e se dedicam a se aprimorar nesse sentido. Mas tirando eles, os góticos no geral valorizam pouco suas peças de roupas que os de outros países. Claro, faz diferença enorme ir com um visual melhor do que uniformizado, e sabemos disso. Infelizmente, há sempre razões que fogem a razão para justificar o porquê não investimos mais nisso.

Talvez um elemento comum em várias baladas do país, seja gótica ou não, mas provavelmente importada em nossas próprias festas é o dark room. Esse quarto escurecido, ou algumas vezes um canto coberto ou simplesmente um corredor sem iluminação, é a razão por muitas gente aqui nos julgar como pervertidos mesmo fazendo coisas muito piores que alguns de nós. Acredito que isso seja conhecido por vocês, leitores, em seus países, mas não na forma que é feito no Brasil, creio. Alguns lugares em nossas terras são praticamente um dark room gigante, onde a balada é só um elemento dentro desse que passa a ser central, onde você pode encontrar desde casais, amigos, maiores ou menores de idade, góticos ou mantendo alguma forma de relação sexual. Conheço lugares onde deixavam até uma cama de casal para os góticos e não é incomum eu ouvir que alguns preferem ir numa balada com dark room do que levar a namorada para um motel. E a qualidade do dark room ainda não é superior que o motel mais precário que vocês devem conhecer…

Cause We are walking on both sides… We are walking on booooth sideess…

Nem tudo é tão ruim na nossa cena. Temos alguns pontos de luz aparecendo que talvez tragam a mensagem que nosso lado ruim esteja acabando (ou talvez seja nosso lado bom?). Além das bandas de grande destaque, temos alguns eventos crescendo e já temos alguns brilhos em outros setores.

Em eventos, temos três que são a exceção entre os outros e que tem uma qualidade superior em comparação a todos os outros: O Projeto Absynthe, Projeto Ferro Velho e a DDK. Apenas a primeira se assume como casa gótica e procura seguir um setlist alinhado com a produção internacional, ainda valorizando nossa cultura apresentando bandas nacionais já que foi uma das primeiras casas que começou a incentivar essas bandas no país, fundada em 2004 quando se chamava Theatro dos Vampiros; o Ferro Velho que é orientado ao público de EBM, que trás muitas bandas internacionais para cá e recebe vários elogios por promover algumas atrações vez por outra, a DDK, e seus vários projetos menores, que renova a cena fora de seu marrasmo e que, apesar das críticas muitas vezes condizentes, é um pólo produtivo de música gótica no Rio de Janeiro, com grandes DJs e um histórico de várias festas de temática próxima a gótica (que atraia principalmente góticos, cabe ressaltar).

Pelo que eu leio em algumas listas de e-mail, nossas discussões sobre góticos e música, apesar de muitas viciadas, são muito mais ricas que lá fora. Isso pode parecer subjetivo, porém já aqui no Brasil as pessoas não aceitam a idéia que gótico é um pseudo-poeta que vive em cemitério e tem que “sentir” alguma coisa de algum lugar. A expressão “apenas música e estética” é repetida exaustivamente para todos esses e nossas conversas, ao invés de citar esses literatos ou falar sobre nossas roupas, citamos escritores e discutimos temas do cotidiano quebrando muitas vezes o senso comum (ok, nem sempre). Isso é bom, embora aconteça em muitas outras cenas, talvez nenhuma tão eminente quanto os nós. Criou-se uma mentalidade que nós temos que ter um FAQ gótico sempre atualizado em nossas cabeças para não se subvertido novamente por qualquer outro.

Tivemos grandes eventos no passado, como a Thornz, que trouxe bandas como Das Ich e Clan of Xymox pro Brasil, e era uma grande Meca aonde iam todos os góticos uma vez ao ano. Ocasionalmente temos shows do Sister of Mercy, que atrai muita gente também do mainstream, e bandas conhecidas da America do sul. Bandas de Gothic Metal, salvo algumas como Lacrimosa, pararam de fazer propaganda em nossos espaços quando estão prestes a vir ao Brasil e há uma demanda em trazer outras bandas famosas para cá, como o CruxShadows (que quase vieram), bandas de death rock diversas e muitas de EBM, por exemplo o CombiChrist. Ainda sim, não acredito que temos um mercado lucrativo para a maioria delas, como já disse, nosso público é pequeno porém além disso, ele não é famoso por ser muito esbanjador. Para os corajosos, pessoal adora Lacrimosa, e ultimamente voltaram a assumir isso.

Existe vários sites sobre “música obscura” e comunidades do Orkut (o “Facebook do Brasil”) dedicadas a quebrar essa rotina. O Musicground.com, dito por alguns como o maior acervo de música da internet, com podcast apresentado pelo Fallen Archangel no Musicground.com, blogs como já apresentado acima, algumas comunidades especificas sobre música do Orkut são alguns dos poucos que promovem um movimento de atualização e renovação que tanto precisamos.

Conclusão

O Brasil carrega uma maldição desde tempo que éramos colônia: parece que somos sempre um “quase” alguma coisa. Somos “quase” uma nação desenvolvida, porque temos características de nação emergente e desenvolvida, somos “quase” o melhor povo do mundo se não fosse pelo jeitinho brasileiro, que é uma maneira de resolver problemas por formas nem sempre licitas, e somos “quase” um país que se libertou dos grilhões do passado ou do atraso em muitos pontos. Em nossa cena isso também acontece, já que embora estamos adiantados em relação ao que chega aos nossos ouvidos pela cena dos vizinhos, ainda permitimos usar formatos já gastos e por não tentarmos inovar dentro do gótico, ou ao menos naquilo que acreditam serem gótico.

Ainda precisamos refletir muito para sermos sérios em nossos eventos, ainda precisamos quebrar o mito do underground em nossas bandas, nossos articuladores de opinião precisam parar de repetir os mesmos chavões que são lhe ensinados e nossos críticos… bom, esse que escreve para vocês atualmente é o único crítico em atividade da cena gótica do Brasil. Meu nome é Renan Darkco, que com algum otimismo para o futuro e vivendo numa cena que é gótica, mesmo não fazendo-o por merecer, tem espamos de brilhos e volta a ficar submergida aqui, no lado debaixo do Equador. Ainda há muito para falar daqui, mas para isso, querido leitor, prefiro manter nossos véus.

Para aqueles atrevidos que queiram nos conhecer melhor, estaramos aguardando.

Necrografia

Conforme prometido, aqui são alguns links para quem quer se informar um pouco mais sobre a cena gótica do país e conhecer um pouco do nosso material que temos.

O livro-texto do Henrique Kipper, ilustrador, e também gótico, aqui;

Mas para quem quiser saber uma das coisas que ele ilustra, há o Mondo Muerto para lerem.

Minha própria crítica, no meu blog pessoal, segue aqui;

Multiply da vida de um deathrocker muito querido meu, contando o dia a dia de quem vive saindo para esses lugares, também aqui.

Agradecimentos, pagamentos de dívidas e provocações

Agradeço principalmente ao Vandersson, membro do Goth Rock, pelo apoio e por ter auxiliado na divulgação. Sem ele, talvez você leitor ainda não conheceria nossa cena.

Agradeço também ao Fallen Archangel, uns dos locutores mais queridos no Musicground Podcast pelo apoio, pela consideração e por corrigir minhas falhas em idiomas (eu sou um sujeito de matemática, escrever ainda não é um talento pra mim) e por ouvir meus desabafos de amores que se foram…

Agradeço a todos meus amigos, que estão comigo e que se perdi contato, pela consideração, pelo apoio e por discutir comigo longos assuntos que me ajudaram a ter os insights para esse texto.

Agradeço até à alguns inimigos, que sem querer divulgam meu trabalho e demonstram que estou no caminho certo.

E principalmente, a você leitor, por ter tido a paciência de ler esse texto até o final e  gostando ou não, pensado um pouco sobre nós.

* Os “Darks” eram punks que gostavam de muito material gótico aqui no país, mas não se diziam góticos, didaticamente falando

Comentários
  1. Olá, Renan! Tudo bem?
    Lendo seu texto eu me lembrei de um antigo artigo do Morpheus Affinito sobre a cena nacional. Ele escreveu outros textos sobre nossa cena nos zines Atmosphere e De Profundis, mas creio que este é o único que está on-line. Fica aqui o link, caso ele te interesse: http://www.carcasse.com/revista/de_profundis/cena_brasileira/index.php
    Obs.: A data está errada. Nosso banco de dados foi corrompido em uma invasão de hackers e quase todos os textos sobreviventes estão com a mesma data incorreta. A data correta deve ser 2001 ou 2002.
    Abração!
    Cid

  2. renato cron disse:

    Deu thuchu, não sei mais que m*rda eu sou:
    headbaunger
    gotico
    trevoso…

    Eu curto qualquer coisa q tenha um som bom.
    Até mesmo versões de sou foda, não..

  3. Isa F disse:

    Este theme realmente conbina com o blog hahahaha

  4. Ramon sanchez disse:

    “* Os “Darks” eram punks que gostavam de muito material gótico aqui no país, mas não se diziam góticos, didaticamente falando”
    .
    gênio!!!!passar informação errada deveria ser crime!!! os darks nunca foram punks, nunca se aproximaram dos punks na década de 80, os darks eram muito mais elitizados e consumiam o post punk ingles e tendencias alternativas da época, algo que se aproxima muito mais com o alternativo atual do que com o punk!!!
    .
    vai pesquisar sobre a cena antes de ficar postando bobagens pivete!

    • Darcko disse:

      Sugiro as pessoas que escrevem no meu depoimento lerem com calma exatamente aquilo que citam. Vão passar acabar passando a certeza que não lêem nem o que citam.

      Abs.

  5. sana disse:

    Oi amigo,
    Deixei um selo de reconhecimento pra você lá no meu blog:
    http://modadesubculturas.blogspot.com/2010/06/selo-dardos.html

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